A história da camisa polo

Sabe a famosa camisa polo? Que o brasileiro adora rotular como uniforme de playboy e “coxinha”? Ela é utilizada como uma opção menos formal que a camisa social e mais formal que a camiseta. Mas sabia que ela foi feita originalmente para ser usada em um esporte? Aí você pensa “claro que sabia, olha o nome dela, foi feita para jogar polo”. Errou. Ela foi feita para jogar tênis! E sua história se confunde com a de uma marca bem famosa.
 

 

 

Até meados dos anos 1920, o tênis profissional, por ser um esporte de elite, exigia regras rígidas no vestuário: as mulheres usavam blusas e saias compridas e os homens calças de flanela e camisas de mangas compridas. As mangas eram sempre enroladas durante as partidas, pois atrapalhavam a jogar. O dresscode se preocupava, portanto, mais em ser chic que funcional. Entretanto, com a popularização do esporte, as coisas foram mudando de pouco a pouco.

 
Suzanne Lenglen e René Lacoste
Suzanne Lenglen e René Lacoste: a vestimenta feminina e a masculina antes e depois da camisa polo.
 

Para quem não sabe, René Lacoste (1904 – 1996) foi um jogador de tênis francês que chegou a ser o número um nos anos 1926 e 1927, tendo ganhado sete títulos do Grand Slam. Além de ótimo jogador, ele contribuiu para o desenho da raquete de tênis, tendo patenteado a primeira raquete de aço tubular e o primeiro amortecedor de impacto. Até então elas eram de madeira.

 

Se o sobrenome dele lhe é familiar não é por acaso. Apesar de ter sido um excelente esportista, seu nome foi eternizado pela marca de roupas que criou. Tudo começou com uma aposta, cujo prêmio seria um jogo de malas de couro de crocodilo. Havendo ganhado a aposta, Lacoste foi apelidado de Le Crocodille (o crocodilo). Logo, o crocodilo desenhado por Robert George se tornaria sua assinatura e uma das logos mais conhecidas e falsificadas de todos os tempos.

 
 
René Lacoste: note que na primeira foto ele tem bordado no bolso do paletó o galo francês e depois passa a usar o símbolo do crocodilo.

Aproveitando sua fama, Lacoste não teve medo de utilizar uma camisa mais confortável para jogar no US Open em 1927. Seu principal diferencial era o tecido, de algodão leve e poroso, conhecido como piqué, que permitia maior aeração e solidez. Além disso, as mangas eram curtas e o colarinho não era mais engomado, era macio, mas rígido o bastante para ser levantado e proteger a nuca do sol. O abotoamento foi encurtado, três botões eram suficientes para que a cabeça passasse na hora de vestir e, originalmente, o recorte era mais comprido nas costas para impedir que a camisa saísse de dentro da calça com facilidade.

O conforto proporcionado pela nova camisa levou Lacoste a criar um negócio e, em 1933, juntamente com o empresário do ramo de malhas, Andre Gillier, a “Chemise Lacoste” (camisa Lacoste) começou a ser comercializada. Primeiramente só eram feitos modelos brancos mas hoje a cartela de cores é infinita.

 
Cartazes da chemise Lacoste.
 

Sua praticidade logo a fez ser utilizada em outros esportes, como o polo (que apesar de não ser o esporte que a criou, foi o que levou a fama), e também fora das quadras. O colarinho proporcionava uma alterativa mais formal à camiseta e por isso foi bem aceita. A camisa polo foi uniforme de diversas classes sociais ao longo das décadas. O britânico, e também tenista, Fred Perry (1909 – 1995), melhor do mundo por cinco anos e ganhador de oito Grand Slams, ao se aposentar, em 1940, foi procurado pelo empresário Tibby Wegner e lançou, em 1952, no torneio de Wimbledon sua camisa polo bordada com o louro da vitória. A diferença da Lacoste era que a logo era bordada diretamente na camisa, não costurada. O símbolo, baseado em um velho louro do campeonato de Wimbledon, fez parte do uniforme dos mods no final da década e, depois, dos skinheads. O espírito da sua marca era mais jovem.

 
mods e camisa polo
 
 
 
skinheads e camisa polo
 
Os mods acima e os skinheads abaixo: a camisa polo Fred Perry era uniforme dos jovens britânicos.
 

Hoje uma das marcas mais usadas e conhecidas pelos brasileiros é a americana Ralph Lauren, criada nos anos 1970 quando os EUA estavam insatisfeitos com a Lacoste. A grande sacada foi lincar o nome da marca ao da camisa e utilizar como símbolo o esporte equestre que a batizou. Tendo como logo um típico esporte da alta sociedade, o público alvo era outro, e acabou transformando a camisa em emblema de um estilo de vida elitista e abastado.

As opções de marcas, apesar de essas três serem as mais importantes, são inúmeras, já que a peça conquistou com força o armário masculino (e feminino!). E há também opções para quem não quer desfilar com uma logo enorme bordada no peito e prefere ser mais discreto.

Fonte: SIMS, Josh. Ícones da moda masculina. Tradução Débora Isidoro. São Paulo: Publifolha, 2014.

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